Libório Manuel Silva: “2010 será decisivo quanto à edição de ebooks em Portugal”

A Centro Atlântico, editora de livros de áreas técnicas, distingue-se das demais no mercado nacional. Desde Março de 1999 que lança ebooks, complementando o formato impresso. Não só acompanha o desenvolvimento do “digital”, como se envolve directamente. Disso é prova a relação que tem com o Google Books, plataforma em que foram o primeiro parceiro português. Questionámos Libório Manuel Silva, editor da Centro Atlântico, sobre o passado, presente e futuro da edição digital em Portugal


A editora Centro Atlântico lança livros digitais desde 1999. É um investimento que gera retorno?

Os e-books que editamos dizem respeito a livros que publicamos também em
papel – anteriormente ou em simultâneo -, e são algumas dezenas. O investimento é recuperado.

Foi a primeira editora portuguesa a colaborar com o Google Books.
Como vê as batalhas judiciais a que a plataforma tem estado envolvida?

São batalhas naturais e salutares de quem desenvolve projectos globais, tentando divulgar e comercializar conteúdos de forma inovadora e não prevista na legislação actual.

Alguns consultores da área de edição/tecnologia, são de opinião que o formato papel continuará vivo na ficção mas no livro técnico tenderá a ser substituído pelo ebook. Concorda?
As principais enciclopédias (Britannica, Encarta, outras) e, por exemplo, as
revistas de informática (Byte, Datamation, PC Magazine, …) a nível mundial deixaram de existir em papel/CD, migraram depois para a Web e, nalguns desses casos, deixaram até de existir online. No entanto, existem ainda, em papel, enciclopédias e revistas de TIC um pouco por todo o mundo.

O mesmo acontecerá com os livros. Em primeiro lugar, e como é óbvio, com os técnicos (os normalmente classificados como temas de não-ficção). Na ficção, o livro ainda tem muitas décadas pela frente, e muitas centenas de milhões de leitores que o irão continuar a privilegiar – excepto se surgirem
alterações radicais na produção de pasta de papel, motivadas por factores
ecológicos.

Não é conhecida (grande) adesão das editoras nacionais ao livro
digital. Aguardam a massificação da tendência ou não vêem proveito no investimento do formato?

Estão todas atentas e muitas a desenvolver estratégias e projectos internos (estratégia correcta até 2009). O ano de 2010 é que será decisivo – o ano de dar resposta adequada ao mercado (já) real e não apenas a projecções pouco
sustentadas.

Em países como os EUA, o ebook e o mercado livreiro são temas na
ordem do dia. O que esperar deste assunto em Portugal e em 2010?

Também o são em Portugal, salvaguardando as diferenças de escala e o facto
de não termos qualquer produção tecnológica neste sector (quer no hardware quer no software). A este nível, a I&D em Portugal é que adormeceu completamente.

[artigo publicado em simultâneo no Diário2]

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