Poucas editoras estão preparadas para o desafio do ebook (Paulo Ferreira / Booktailors)

A Booktailors realiza consultoria, formação e divulgação de boas práticas de edição livreira. Paulo Ferreira, uma das faces da empresa, acedeu dar o seu parecer sobre a actualidade do mercado nacional e os novos suportes de leitura.

O que é um ebook?
Antes de mais, destrinçar que ebook e ebook readers são coisas distintas (não raramente se confundem os dois conceitos). Ebook dirá respeito ao ficheiro propriamente dito, que mais não é que a disponibilização de um conteúdo em formato electrónico, que poderá (ou não) ter uma existência física em livro, no sentido mais tradicional (com badanas, lombada, etc). Ebook reader o suporte que permite a leitura desse conteúdo.

Para o leitor, quais as vantagens do ebook vs livro impresso? E as desvantagens?
O ebook permite um armazenamento mais leve do conteúdos; o transporte massivo desse mesmo conteúdos; uma série de funcionalidades de pesquisa no texto e fora dele. As desvantangens, além da mais romântica que é a ligação ao livro, continuam a ser que precisamos de energia para poder acesso ao conteúdo; de um interface que custa centenas de euros; de ser difícil fazer uma biblioteca pois ainda não existe um entendimento qual o formato standard a utilizar, dificultando a possibilidade de se construir uma biblioteca. Cada leitor trabalha com formatos específicos, nem sempre compatíveis entre plataformas.

Ao longo desta década o negócio da música “virou” para o digital. O mesmo poderá acontecer, nos próximos 10 anos, no mercado do livro?
Quando falamos do mercado do livro, e como nota sempre José Afonso Furtado, temos sempre falar dos diversos mercados do livro. Em algumas áreas, e na verdade, nomeadamente académicas / científicas o ebook é já a única forma de existência desses conteúdos. Assim, em alguns segmentos, sem dúvida que o ebook se vai impor, noutros vai demorar mais tempo. O que seja que o futuro nos reserve para o ebook, estou certos que nos próximos dez anos as duas realidades serão paralelas, compatíveis e complementares.

O que acontecerá às centenas de história de livros em papel, se o livro digital for aceite massivamente?
Não me parece que isso vá acontecer, pelo menos para já. Não em todas as áreas, pelo menos. Mas não me parece que os livros sigam todos para reciclar.

Em países como os EUA, o ebook e o mercado livreiro são temas na ordem do dia. O que esperar deste assunto em Portugal e em 2010?
Em 2010, pouco. Os editores portugueses ainda estão pouco sensibilizados para esta temática e são poucos aqueles que, por exemplo, vendem já direitos para ebook das suas obras. Sabe-se que a Caminho o fez, com Saramago. Mas quantos Saramagos temos? A nível de infra-estruturas, também poucas editoras estão preparadas para o desafio. Mesmo porque fazer um ebook, contrariamente ao que a opinião em geral por vezes considera, não é fazer um pdf.

One Response to Poucas editoras estão preparadas para o desafio do ebook (Paulo Ferreira / Booktailors)

  1. Não vejo de todo motivo para tanta preocupação. Estou certo de que as editoras portuguesas estão mais que preparadas para o ebook, pois quem dita as regras não são as empresas mas o consumidor que está cada vez mais exigente e sofisticado.
    Quando o cliente exigir o ebook, a indústria do livro saberá dar a resposta.

    carlos meirinho carrilho rito

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