Rui Zink em busca do e-leitor

Rui Zink é um dos escritores mais despertos para a leitura digital. É o feliz proprietário de não um mas de dois destes e-readers (Sony Reader e Kindle). Há poucos dias, no programa Prova Oral da Antena 3, falava abertamente sobre as vantagens de se ter e ler um ebook à luz da “vida moderna”.

O autor promove, actualmente, “O Anibaleitor” (Caminho, 2010), um livro sobre a aventura da leitura. O eBookPortugal decidiu entrevistar Rui Zink a propósito das suas “aventuras” com os leitores digitais.

O Rui Zink comprou e usa leitores Sony Reader e Kindle. O que lhe parece a experiência de ler livros digitais?
Não só boa como inevitável. Se uma pessoa quer ler – lê, tão simples como isso. E ainda a procissão vai no adro. Claro que não se compara ao papel, mas para quê comparar? A verdade é que, quando estamos muito em trânsito (novo emprego, nova casa, divórcio, etc) não é possível carregar uma biblioteca em papel! Além disso, um sistema onde as montras das livrarias são compradas (e, nalguns casos, o restante espaço) está doente. A distribuição está doente. Perante este estado da arte, suportes leves, que num clique recebem a novidade fresquinha, que levam dezenas ou centenas de livros, ganham vantagem.

Tem alguma obra publicada em formato digital?
Nim. Os Surfistas foram publicados pelo portal Clix da Sonae em 2000, ou seja, na pré-história, mas depois não sei o que aconteceu. É pena: tendo feito o primeiro e-romance cá do burgo (e sem copiar modelos, ouviram, ó badamecos?), gostava muito de ter o livro disponível para quem, por simbólica quantia (digamos, um euro) o quisesse ler no formato original. Sugestão: falem com o Clix, que a mim não atendem.

A adopção de leitores e livros digitais está num estado embrionário em Portugal. O iPad poderá ser o elemento que falta para tornar mais popular o “gadget” e-reader?
Acho que não. Ainda estamos na fase da luta entre o VHS e o Betamax. Parece mentira, mas em 1984 ainda não se sabia qual ia vingar. Foi o VHS. Para logo em seguida morrer, substituído pelo DVD, que lá tem resistido ao Blu-Ray. Daqui a cinco anos (estudantes, tomem nota) vai haver um suporte muito melhor, muito mais barato, quase dado (tipo telemóveis hoje), para ler e-livros.

A mudança de modelo de produção de livros poderá ser tão repentina como aquela que abalou o sector musical nos últimos dez anos? Quais as suas consequências?
Um certo vazio na cobrança de direitos, desde logo. Esse é ainda hoje o problema da net: como sacar “o nosso”? E as livrarias vão ter de se re-modelar. Parte do grosso das vendas será por correio, sendo a livraria física apenas um stand simpático, com um par de mesas, copos, e net grátis nas mesas, e muitos, muitos livros maravilhosos mas que saíram há mais de 18 meses (velharias, portanto, segundo as Bertrands e afins). Um exemplo? A Trama, ou a Poesia Incompleta, ambas em Lisboa, e por acaso a nem mil metros uma da outra, são duas amostras notáveis de livraria com visão e algum do “amor à camisola” que, até há não muito tempo, o Mundo de Quem Gosta de Livros implicava.

O português é uma das principais línguas faladas no mundo. Que papel terá a desempenhar na implementação do ereader/ebook?
Infelizmente o português tem sido mais passageiro que condutor. Acho que temos futuro, se entendermos que a nossa força é estarmos unidos. Saravá, mêrmãos.

Fernando Pessoa escreveu “primeiro estranha-se, depois entranha-se” como suposta assinatura para a Coca-Cola. Qual seria a sua proposta para “lema” de um leitor digital?
Não deixe que tomem decisões por si. Seja um e-leitor. (Copyright, OK?)

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